skip to Main Content

Projecto

Estratégia para a melhoria da segurança alimentar, nutrição animal e sustentabilidade na alimentação animal na região do Alentejo

Introdução

A alimentação animal constitui o fator de custos variáveis mais importante das explorações pecuárias.

Considerando a importância da alimentação animal na produção animal e no acesso a géneros alimentícios de elevada qualidade e segurança alimentar pelos consumidores, a IACA desenvolveu o projeto SANAS que assenta em três pilares fundamentais: Segurança Alimentar, Nutrição Animal e Sustentabilidade.

Este projeto tem ainda como foco a melhoria da comunicação e divulgação de informação importante para o setor, mas também deste para a sociedade civil.

Segurança Alimentar

A garantia da qualidade e segurança dos alimentos para animais consiste numa das prioridades da política europeia sobre segurança alimentar. Uma crise alimentar representa não só custos elevados como a descredibilização do setor, podendo este demorar mais de uma década a recuperar. Um exemplo, é a crise da BSE (1996), cujos efeitos passados mais de 20 anos ainda se fazem sentir.

A provisão de alimentos seguros, nutritivos, de alta qualidade e acessíveis para os consumidores da Europa é o objetivo central da política da UE, que abrange todas as etapas da cadeia de abastecimento alimentar da UE, “do prado ao prato”. Os seus objetivos e requisitos visam assegurar um elevado nível de segurança alimentar e nutrição num mercado global eficiente, competitivo, sustentável e inovador e, este projeto pretende ir ao encontro dos mesmos.

Nutrição Animal

A UE é extremamente dependente da importação de fontes proteicas para a alimentação animal, principalmente de fontes de elevado valor proteico. Em Portugal, esta dependência é ainda mais elevada, tendo em conta a diminuta produção de oleaginosas, principalmente soja, da qual se extrai a principal fonte proteica utilizada em alimentação animal, o bagaço de soja.

É por isso importante procurar fontes proteicas alternativas para a alimentação animal, nomeadamente proteaginosas, como o tremoço, a fava, o grão de bico ou a ervilha, de variedades que não são próprias para o consumo humano ou como forma de aproveitamento do que é rejeitado pela indústria alimentar humana. Outra possibilidade é a utilização de insetos ou outros invertebrados, assim como algas como fontes proteicas para a alimentação animal.

É esperado um aumento global das necessidades de proteínas de origem animal, nomeadamente carne e leite nas próximas décadas em virtude do aumento populacional, e do poder económico em alguns países em vias de desenvolvimento (FAO, 2009). No entanto, a produção animal tem sido apontada como ineficiente na utilização dos nutrientes veiculados pelos alimentos, com um consumo de proteína mais elevado do que a sua produção através dos produtos de origem animal e com elevados níveis de excreção com um impacto negativo no meio ambiente. Melhorar o conhecimento do valor nutricional das matérias-primas existentes, revendo as bases de dados nutricionais, identificar as interações entre os ingredientes dos alimentos compostos e otimizar a sua combinação por forma a aumentar a eficiência alimentar vai permitir diminuir o desperdício alimentar e o efeito negativo da produção animal no meio ambiente.

Sustentabilidade

A produção animal fornece um terço da proteína consumida pelo Homem no Mundo, o que nos países desenvolvidos representa um valor superior. No entanto, a sua produção implica uma utilização de 75% dos solos disponíveis para a agricultura, e um consumo de cereais e produtos derivados de 35%, originando o setor agrícola no seu todo 14,5% dos gases com efeito estufa produzidos mundialmente. A alimentação de precisão é o caminho a seguir com vista a produzir mais com menos e simultaneamente diminuir o impacto ambiental da mesma.

A obtenção de matérias-primas de forma sustentável é outra medida essencial para a poupança dos recursos, devendo as melhores práticas existentes ser partilhadas por todos os operadores ao longo da cadeia alimentar, a fim de multiplicar o seu impacto positivo. É por isso importante ajudar as empresas a promoverem um sistema de produção de alimentos mais sustentável e resiliente.

Objectivos

A alimentação animal constitui-se como uma das etapas mais sensíveis do início da cadeia alimentar, pelo que é importante que os alimentos para animais, em todas as fases da produção, transformação e distribuição, incluindo a importação e exportação, de e para países terceiros, detenham a qualidade e segurança apropriadas à manutenção da saúde e bem-estar animal, à proteção da saúde humana e do ambiente, assim como ao fortalecimento da confiança dos consumidores nos produtos de origem animal.

O objetivo estratégico deste projeto é reforçar a segurança alimentar ao longo da cadeia da alimentação animal, com impacto na segurança dos produtos de origem animal visando o aumento da confiança dos consumidores na produção nacional, garantindo a sustentabilidade da sua produção, dando resposta às metas fixadas no horizonte 2030 e aos desafios societais.

Especificamente, pretende-se:

1

Reforçar o conhecimento e a inovação a nível da cadeia de produção de alimentos para animais e ainda colaborar com os produtores no sentido de encontrar soluções a nível de alimentação animal que melhorarem o desempenho, saúde e bem-estar animal, reforçando consequentemente a segurança da cadeia alimentar.

2

Aumentar o conhecimento sobre a qualidade nutricional das matérias-primas para a alimentação animal com foco na redução do desperdício alimentar e na economia circular.

3

Discutir dossiers importantes para o futuro do setor, em estreita ligação com a FEFAC, tendo em conta os interesses nacionais, através de grupos de trabalho ad hoc compostos por especialistas dos vários setores do mercado e do meio científico e tecnológico.

4

Produzir manuais, códigos de boas práticas e guias com vista ao reforço do conhecimento numa perspetiva de melhoria do setor e cumprimento da legislação em vigor.

5

Elaborar fichas técnicas de caracterização e parametrização das matérias-primas.

6

Avaliar as potencialidades de utilização de novas fontes proteicas em alimentação animal, no sentido de apostar conscientemente na melhoria da economia circular através da utilização de proteína sustentável, de forma mais eficiente, na aposta de uma produção animal mais sustentável.

7

Avaliar a sustentabilidade do setor dos alimentos compostos para animais na região do Alentejo, no sentido de valorizar este setor no conjunto da fileira agrícola e agroalimentar que é estratégica para a região e que tem uma enorme margem de progressão.

8

Divulgar e comunicar a informação disponível junto dos operadores de mercado, através da ampla publicitação dos seus resultados complementada por ações de divulgação e disseminação.

Plano de actividades

O plano de atividades do projeto SANAS centra-se nos seus objetivos estratégicos e operacionais. Para atingir estes objetivos serão desenvolvidas 6 atividades, sendo que a primeira e a última são transversais a todos os objetivos a atingir.

Resultados

Co-financiado por:

Back To Top